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PROESP - 30 anos de ação e coragem em promoção ao ambiente sustentável
1977 - 2007
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O
edital de convocação saiu no jornal em 3 de abril de 1977.
Nove cidadãos se encontraram no Senac da Rua Sacramento e
organizaram o primeiro grupo ambientalista campineiro. Os
sócios fundadores da Sociedade Protetora da Diversidade das
Espécies (Proesp) foram Hermes Moreira de Souza, Carlos
Jorge Rossetto, Ivan José Antunes Filho, Celso Valdevino
Pommer, Francisco Solano de Oliveira Rodrigues Filho,
Arnaldo Guido de Souza Coelho (engenheiros agrônomos), Ezio
de Santis (projetista), Condorcet Aranha (biólogo) e
Péricles Faber (engenheiro civil).
Na reunião,
ficou acertado que a entidade civil, sem fins lucrativos, ia
incentivar a criação e a defesa de reservas naturais. Também
ia denunciar a pesca predatória, o aprisionamento e a caça
ilegal de animais.
Hoje, passados 30 anos, a gente
olha para trás e percebe que a Proesp ficou muito maior do
que se esperava. A entidade teve participação decisiva, por
exemplo, na preservação da Mata de Santa Genebra.
O
acervo histórico na estante preserva a foto da antiga
proprietária, Jandira Pamplona de Oliveira, assinando a
doação da gleba para o Município, em 1981, observada pelo
então vice-prefeito Magalhães Teixeira.
A Proesp
também trabalhou pelo tombamento da Serra do Japi e
participou da criação de conselhos ambientais por todo o
País. “A entidade contribuiu até na redação dos artigos
constitucionais sobre o meio ambiente”, fala orgulhosa a
bióloga Roseli Torres, uma das associadas atuais.
A
Proesp continua sem qualquer fim lucrativo. Muito pelo
contrário: é sustentada basicamente pelo voluntariado.
Pessoas que pagam gasolina do próprio bolso e se cotizam
para as despesas de papel e cartuchos de
impressão.
Não existe mensalidade fixa. Cada
associado contribui com quanto pode. Se é que pode. É que a
Proesp não é mais formada por gente de situação financeira
estável. Hoje, ela está aberta para simpatizantes de
qualquer idade, de qualquer classe social.
A imagem da
entidade, agora, se confunde com a história de vida de uma
pessoa. Márcia Helena Corrêa, de 57 anos, nasceu em Sorocaba
e foi professora. Se mudou para Campinas em 1985. Deixou de
lado o giz antes mesmo da aposentadoria. Entrou na Proesp e
nunca mais saiu. Sua identificação com o grupo foi tão
grande que, após escolhida para a presidência do grupo há
oito anos, nunca mais deixou o cargo.
Muito
conhecida, com livre trânsito nos órgãos públicos e
redações, Márcia Corrêa se transformou numa espécie de
“ouvidora” ambiental. “Quando presenciam um corte criminoso
de árvore, ligam para a minha casa, e não para o DPJ
(Departamento de Parques e Jardins, da
Prefeitura)”, diverte-se.
O interesse de
Márcia na defesa ecológica está no sangue. Seu avô, Gonçalo
Vieira Corrêa, dono de um sítio em Araçoiaba na Serra,
impedia pesca predatória e caça na propriedade. É, isso
mesmo: o homem já era ambientalista no começo do século
passado.
Mas Márcia pagou caro por abraçar a missão
do avô. Cansou de enfrentar carrancas furiosas quando
denunciou crimes contra reservas nativas e
mananciais.
Hoje, ela comemora a influência nas
decisões governamentais de conselhos ambientais
representados, democraticamente, por setores diversos da
sociedade. Mas admite que gostaria de ver a sociedade mais
engajada nas causas ambientais. “Hoje, o cidadão faz barulho
quando tem prejuízo pessoal”, fala. “Pouca gente se preocupa
com o interesse coletivo.”
A seu ver, há quem esnobe
os defensores de animais, plantas e rios. É que, segundo
Márcia, eles não percebem que a humanidade integra o sistema
ecológico planetário. “A vida depende do ambiente
saudável”, afirma.
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